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O ano de 2010 começou sem avanços na Busscar. No início de janeiro, apenas 40 dos quase quatro mil funcionários da Busscar Ônibus estavam trabalhando. Além disso, o 13º salário de 2009, que deveria ser depositado até o 30º dia de novembro, ainda não foi pago.
Nosso mandato apresentou em dezembro passado uma moção pedindo a criação de uma Comissão de Fábrica. Nenhuma resposta foi dada pelos empresários. Cabe ao sindicato exigir que essa medida seja colocada em prática e garantir que todos os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
A Busscar sofre com problemas financeiros desde 2002. Em 2004, levantou-se de uma crise com dinheiro do BNDES e, agora, mais uma vez se abate. No final de 2009 a recreativa Grenil, avaliada em R$ 10 milhões, foi vendida por R$ 5,5 milhões para conseguir pagar a segunda metade dos salários de outubro.
Ao todo, o complexo de empresas da Busscar possui cerca de seis mil trabalhadores, o que corresponde a uma folha de pagamento em torno de R$ 6 milhões mensais. O impacto da extinção desses empregos traria graves consequências econômicas e sociais para Joinville.
Esse problema é responsabilidade não apenas dos trabalhadores que são os que mais sofrem, ou da direção da Busscar, que sairá ilesa caso o pior aconteça. É responsabilidade também, dos gestores públicos e do Sindicato dos Mecânicos de Joinville.
O início da solução poderia ser a eleição livre, direta e secreta pelos trabalhadores de uma Comissão de Fábrica. A eleição deveria ser coordenada pelo sindicato, teria a função de exigir a abertura dos livros para avaliar e acompanhar a situação da fábrica. Seus membros teriam estabilidade de emprego.
Os trabalhadores têm o direito de saber o que está acontecendo. A empresa já foi beneficiada com dinheiro público, por isso nenhum novo recurso deveria entrar sem a o acompanhamento de uma Comissão de Fábrica e do poder público. A forma de organização em comissões de fábrica expandiu-se muito nos anos de 1980 e é comum em grandes empresas como a Mercedes-Benz, Scania e Ford, em São Paulo.
Na moção do vereador Adilson Mariano, aprovada pela Câmara, afirmamos: “Se os trabalhadores e o poder público continuarem às margens do controle da fábrica, corremos o risco de mais recursos serem repassados à empresa e mal utilizados. Dessa forma os empregos e direitos dos trabalhadores continuarão ameaçados. O correto seria que qualquer empresa que recebesse recursos públicos tivesse acompanhamento do poder público e dos trabalhadores, para evitar o mau uso do dinheiro da população”.
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